Posso? Devo? Quero?
Prezados, não é de hoje que ouço a corriqueira e até um pouco “ingrata” (explicitarei o porque) máxima: "Quando se faz algo errado, sempre tem alguém pra apontar, porém, quando faz-se algo certo, não tem um pra elogiar”...
Pus-me a refletir sobre a tal frase, seus fundamentos e seus porquês. Tentei avaliar as corriqueiras situações em que são expressas e até as conjunturas para tal.
Primeiramente, confesso ser um pouco contrário à tal máxima, acredito que por uma possível maior aceitação e compreensão, que por muitas vezes, gera a acomodação.
Acredito fielmente, que fazer o certo, não é mais que obrigação. Pois, em tudo o que fazemos, há um interesse, mesmo que de forma implícita, independente do que seja e todos esperam algo de nós, em qualquer escala que seja, em qualquer grau de proximidade que seja. De acordo com Sérgio Cortella: “Ética é o conjunto de valores e princípios, adquiridos em nossa trajetória de vida. Através dos costumes e crenças, da nossa família, amigos, pessoas próximas, de acordo com a época em que vivemos. Que usamos para responder as três grandes perguntas: Quero? Devo? Posso?”.
Não necessariamente o que se quer, se deve ou pode e poder, não necessariamente é dever ou querer, então, partamos da obrigatoriedade do seguimento do conjunto de regras, o qual, conhecemos como Lei e voltemos à parte em que falamos do que esperamos e somos esperados.
Desde o simples ato de se pegar um ônibus, espera-se chegar ao destino desejado, em segurança e nos é esperado o pagamento da passagem ou justificativa do não pagamento da mesma, para usufruir do serviço disposto (tanto a obrigatoriedade do pagamento ou justificativa, quanto à prestação de serviços, são direitos de ambas as partes) ou o simples ato de andar pelas ruas, detém-se o direito (não que isso seja garantido) de circular com segurança pelas ruas e tem-se o dever de não colocar em risco, a segurança das demais pessoas (as quais, não necessariamente, se tem qualquer vínculo) e isso, tanto se é esperado, quando nos é esperado. Aí chegamos aonde bato na tecla: Não se fez mais do que a obrigação.
Desde já, explicito não ser contrário a qualquer tipo de manifestação que valorize a conduta ou enalteça o cumprimento da mesma e acho louvável o RECONHECIMENTO. Mas, talvez, pela banalização dos equívocos, chegamos ao ponto em que se espera o enaltecimento do cumprimento do proposto.
Cito um simples exemplo da relação funcionário x empresa. É assinado um contrato de trabalho com valor legal, onde delimita-se as "regras do jogo" e muitas vezes, o funcionário sente-se frustrado por um reconhecimento, que no fundo, é justificado e já reconhecido, pelo simples ato do pagamento do salário.
A empresa paga o que foi combinado, de acordo com o que foi exercido pelo profissional condizente com o que foi proposto, logo, a empresa espera que o trabalho seja exercido com perfeição, dentro das condições dispostas (teoricamente). No caso do não cumprimento do que for acordado, por ambas as partes, fez-se jus ao lesado, o papel de reclamante, cabendo às críticas ou medidas cabíveis. Equivocar-se e conviver com o "erro", começa a ser tão corriqueiro que o enaltecimento e explicitação do que deveria ser o "normal", começa à ser desejado.
O equívoco é normal, porém, a acomodação com o mesmo ou a tentativa de ofuscação do mesmo, com os acertos, vejo como injusta. Procuro não ser ortodoxo demais e nem perfeccionista, porém, vejo no equívoco, um dos maiores aprendizados e se incomodar com o mesmo, um grande passo ao desenvolvimento.
Como espectador do esporte mais praticado no mundo, acompanhei os jogos do campeonato estadual e em dois momentos, percebi diferentes visões e talvez por esse motivo, se justifique a posição (ou pelo menos o panorama presente) dos mesmos no campeonato.
Logo após a vitória do Botafogo sobre o Bangu por 4x2 (com três gols de Loco Abreu), jogo o qual, o atacante uruguaio perdeu o sexto pênalti de seis batidos no ano. Ao ser indagado sobre a permissão de uma nova cobrança, foi respondido que o atleta tinha feito três gols no jogo e os mesmos apagavam qualquer coisa, que o atleta poderia fazer oque quisesse.
Logo após a entrevista, não me senti muito confortável com o fato e me senti justificado, com a declaração de Rafael Sóbis, logo após o último jogo, em que o Fluminense ganhou do Botafogo por 4x1.O jogador em questão, mesmo tendo marcado dois gols e feito uma belíssima partida, ao ser entrevistado à beira do campo ainda, recebeu os parabéns pelos gols, porém, foi enfático ao lembrar um gol perdido frente ao goleiro (mesmo não tendo considerável impacto negativo no resultado) e a importância de mesmo tendo marcado dois gols, trabalhar mais para a diminuição da possibilidade de falha. É para isso que eles recebem, para que estejam na melhor disposição possível, aptos ao exercício da função e no fundo é assim com todos. Não se espera (ou deveria esperar) uma gentileza de um desconhecido, mas, espera-se (ou teoricamente deveria se esperar) que o mesmo, haja de maneira ética.
Ou seja, receber os agradecimentos faz bem, é cordial, alimenta o ego, estimula, porém, cabe à cada um de nós, refletir o real dever que nos cabe e ver oque realmente fazemos além do que nos é esperado, do que esperamos.
Sim...Os erros e/ou equívocos devem ser considerados e os acertos, RECONHECIDOS.

Concordo plenamente!
ResponderExcluirParabéns por ter essa atitude, precisamos de mais pessoas assim no Brasil e no mundo.
muito bom!! Otima forma de expressar suas ideias!
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