Agora sim vamos começar a falar sobre o Los Hermanos que a maioria conhece. Dois anos depois do maremoto de Anna Júlia, a banda se isolou num sítio para fugir da pressão da gravadora e compor seu próximo CD. Então em 2001 é lançado Bloco do Eu Sozinho.
Foi por pouco que este disco não viu a luz do dia. Quando finalizado ele foi levado pela banda à gravadora (Abril Music), mas foi rejeitado por não ter hits potenciais e pela produção considera amadora. Ela, então, exigiu que as músicas fossem remixadas, enquanto o grupo bateu o pé em negativa. O cabo de guerra teve fim com um acordo entre as duas partes onde o produtor Marcelo Sussekind remixaria o álbum, porém ele gostou muito da versão original e quase não tocou nas músicas, portanto o CD foi lançado conforme a banda queria.
E então, graças a esta manobra, pudemos ter acesso a este trabalho que seria o divisor de águas na carreira do Los Hermanos. Aqui podemos ver uma mudança incrível na sonoridade do grupo e agora a mistura de rock, ska e samba estava bem mais homogênea que no disco anterior.
Para mim ainda é difícil decidir qual o meu álbum favorito, sempre fico na dúvida entre esse e o Ventura, mas para muitos fãs essa é a obra prima da banda. Que apesar de ter sido ignorado pela gravadora, conseguiu conquistar muitos seguidores fiéis e deu ao grupo um status de cult, que na minha opinião era exatamente o que eles queriam, tanto que se sentiram confortáveis nesta situação e mantiveram o resto da carreira neste caminho.
O repertório continuou em sua maioria focado em romances, mas desta vez a dor da traição que gerava raiva no disco anterior, passou a ser uma melancolia sutil que produz letras mais suaves e em acordo com a nova identidade musical da banda. Talvez a única exceção a isso seja o punk-rock de Tão Sozinho.
Outros destaques são a evolução nas composições de Marcelo Camelo, que começa a se tornar uma referência para a crítica, e um maior destaque conquistado por Rodrigo Amarante e suas letras.
Entre as minhas músicas favoritas estão: Todo Carnaval Tem Seu Fim, Retrato pra Iaiá, A Flor, Cadê Teu Suin, Sentimental e Cher Antoine. Mas essas são só as que vieram na minha cabeça, na real eu gosto bastante do CD inteiro, posso ouvir do começo ao fim várias vezes seguidas.
Este é realmente um disco muito bom, merece toda a crítica positiva e com certeza valeu todo o esforço da banda para mantê-lo integro e original ao que eles pretendiam.
Amanhã, os bons ventos nos trazem Ventura e a terceira parte do nosso especial!

Nenhum comentário:
Postar um comentário